Sejam muito bem-vindos a essa aula com convidada especial.
É uma alegria estar aqui com vocês! Quero todo mundo com papel e caneta na mão, porque
quando tem aula da professora Flávia, vocês sabem…
Sempre tem que anotar alguma coisa.
O que você vai ensinar hoje, Flávia?
Nós vamos falar de classe 3. Não só de classe 3, mas de padrão 3, de mordida cruzada anterior.
Diagnóstico e tratamento da classe 3 e como capitalizar esse conhecimento
A gente gosta de começar com essa pergunta. Sempre, né, Hélio? Sempre:
A classe 3 que nós vamos tratar aí, ela é dentária? Ela é esquelética? Ou ela é as duas coisas?

Então, se você vai fazer um diagnóstico e não tem essa resposta, você já começa errando, porque aí você não vai ter um plano de tratamento e principalmente, você não vai ter um prognóstico.
Não tem como ter prognóstico.
Essa boquinha que vocês estão vendo aí, o paciente é um padrão 3 ou é só uma mordida cruzada anterior?
Essa é uma resposta que, se nós não tivermos na ponta da língua, você erra e erra feio.
Vocês estão percebendo que aqui, o molar está engrenadíssimo de classe 1:

Só que nós temos um problema um pouco mais sério aqui no anterior, que é uma mordida cruzada. Quantas vezes nós já vimos colegas falando assim: ah, vamos fazer, num caso como esse aqui, uma
disjunção e usar uma máscara facial.
É um erro brutal.
Inclusive, a mãe trouxe esse menino pra nós, dizendo assim: eu fui em outro lugar, e
disseram que o caso do meu filho é cirúrgico.
Mas qual que é o pulo do gato?
É a gente manipular em relação cêntrica. Muitas vezes, você vai ver que ele é classe 1. Ele não é uma classe 3, é uma pseudo classe 3.

E isso quer dizer o quê?
O tratamento muda!
E respondendo a essa pergunta, na verdade, esse paciente não é classe 3, não é padrão 3.
Ele apenas tem a mordida cruzada anterior.
Ele é um paciente padrão 1, classe 1, com a mordida cruzada anterior por conta da inclinação lingual.
Por causa da inclinação superior lingual dos incisivos e por causa da inclinação vestibular dos incisivos, significa que quando nós falamos que o problema é por causa de inclinações dentárias, significa que esse problema, é um problema só dentoalveolar.
E se ele é um problema só dentoalveolar, é muito mais fácil de corrigir!
Fácil, gostoso de fazer, rápido, tudo de bom.
Quando você manipular em relação cêntrica e perceber que ficou de topo a topo, você pode ter certeza, o caso é mais fácil de tratar.
É lógico que você não vai olhar só pra isso, tá?
Por exemplo, quem já entende um pouquinho, sabe que nós temos um potencial de crescimento a nível tecidual da mandíbula que tem que ser respeitado.
Tem que ser visto, respeitado e conversado com os pais.
Nós temos uma análise que a gente pede para o centro radiológico fazer, que chama-se análise de Lavergne Petrovic. E nessa análise a gente consegue ver qual é a direção de crescimento da mandíbula e qual é o potencial dela de crescer.
A gente está percebendo aqui que esse paciente, olha a face dele:

Aparentemente é um paciente normal.
Ele pode até ter ali uma linha que é o pescoço um pouquinho maior, mas eu não vejo tanta diferença.
Está bonita a face dele.
Então quando a gente olha:
O paciente está com a face bonita;
O paciente ficou de topo a topo na hora que manipulou:

Então já tem dois fatores aí que são muito favoráveis.
Tá, mas e o terceiro fator?
É a análise de Petrovic.
Só um ponto, aqui na face, quando a gente faz aquela vertical verdadeira:

E aí, muitas pessoas devem estar perguntando: “não, mas o lábio inferior, ele deveria estar um pouquinho mais para trás”.
Não, ele está tocando nessa linha.
Me parece que o lábio superior que está um pouquinho mais para trás.
Por que? Inclinação de incisivos.
Tanto o incisivo inferior está vestibularizado, quanto o incisivo superior está lingualizado, causando essa diferença no lábio que vai ficar corrigida depois do tratamento.

Se você olha um caso como esse, às vezes se você pedir ajuda, um auxílio para algum colega, algum professor, algum colega seu.
Se o professor ou o colega for exclusivamente ortodontista, ele vai dizer para você fazer disjunção e tração reversa.
Eu tenho quase certeza.
Quando é que nós temos que fazer uma disjunção e tração reversa?
Quando nós temos uma deficiência de maxila. Uma deficiência de maxila também pode ser tratada com ortopedia funcional.
Porém, deficiências de maxila severas, você tem que fazer uma tração reversa.
Então, quando esse paciente tiver uma discrepância negativa anteroposterior, isto é, um overjet negativo, que é isso aqui:

O incisivo inferior à frente do superior, de 2 a 3 milímetros. Toma cuidado!
E aí, o que você vai fazer?
Manipula em relação cêntrica. Ficou de topo, você comemora. Você fala, “opa, dá para eu tratar até com ortopedia”.
Só que se você manipulou esse paciente que tem um overjet negativo de 2 a 3 milímetros, ou mais, 3 milímetros para cima.
E você manipulou e ele não ficou de topo a topo, cuidado.
Provavelmente você vai ter que fazer uma disjunção e usar uma máscara facial.
Então não acredite naquela história que tudo é disjunção e tudo é máscara facial. Não é.
Até porque hoje em dia, gente, vamos falar sério, os pacientes são muito mais exigentes do que eram antigamente. E instruídos também.
E o paciente hoje, se você fala para ele que ele vai usar uma máscara facial, é só se ele tiver
com o pé na cirurgia para ele usar, porque a pessoa, mesmo sendo criança, não usa.
Se você colocar aqui e falar para uma criança de, sei lá, 10 anos e aí você pega uma máscara de tração
reversa, aí você fala assim, o pai está na sua frente:
Esse aparelho ortopédico funcional custa 10 mil reais e essa máscara de tração reversa que custa 1 mil. Qual que você prefere?
Eu aposto os 10 mil reais, porque a gente vive isso todo dia.
O pai e a mãe falam: não, eu prefiro esse menorzinho dentro da boca, né, doutor? Como é que o menino vai sofrer bullying na escola usando esse aparelho fora da boca?
Claro que tem paciente que tem que usar, gente.
E o que tem que usar a gente vai colocar, mas a gente não precisa colocar em todo mundo.
Até porque se fizer uma disjunção com o uso de máscara facial, neste caso que vocês acabaram de ver, você vai estragar a infância desse paciente.
O paciente é classe 1, padrão 1, então melhor não, né?
A telerradiografia dele também me parece padrão 3:

Mas a Flávia acabou de falar que ele é padrão 1, que ele é classe 1, e o Hélio também.
Pessoal, esse paciente, ele tinha mordida cruzada anterior e fez essa pele na máxima intercuspidação dele.
Então, o ideal seria você manipular em céntrica, fazer um jigzinho e fazer a telerradiografia.
Claro que a gente não faz isso, mas para você não ter essa pele como seu diagnóstico absoluto de padrão 3, então fiquem atentos com isso.
E esse paciente foi tratado de forma muito tranquila e ficou dessa forma aí:

Muito tranquilo, um caso de inclinação de incisivos, não era padrão 3, não era classe 3.
Ele tinha apenas uma mordida cruzada anterior.
A face dele, dá para ver a linha queixo-pescoço estava no tamanho normal, até para diminuída
Agora, depois do tratamento, quando ele era menor, a linha queixo-pescoço estava até normal, um pouquinho aumentada.

Mas por quê? Por causa da postura dessa mandíbula à frente. Então, tomem muito cuidado com isso!
Olha, isso foi só um corte.
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Até breve.