TÉCNICA 4X2: Indicações e Contra-Indicações

Fala turminha, sejam muito bem-vindos! Tudo bem com vocês?

Pessoal, hoje falaremos sobre a técnica 4×2.

Turma, vamos lá!

Então, a hora que a gente pensa em tratar com a técnica 4×2, pessoal, essa técnica é quando ainda não erupcionou os pré-molares.

No meu caso aqui, eu já tenho alguns pré-molares erupcionados:


É um tratamento que nós poderíamos chamar de tratamento precoce, vocês concordam?
É um tratamento, não precoce, mas é um tratamento oportuno, um tratamento feito numa fase interna da idade do nosso paciente.

O que eu quero que vocês entendam é que a prevenção das maloclusões sempre vai ser o melhor caminho.
E ela é o melhor caminho, e hoje em dia os pais dos nossos pacientes sabem disso.

Os pais trazem os filhos muito mais cedo no consultório. Eles não esperam a coisa desandar para trazer os seus filhos.

  • Os pais trazem os filhos muito mais cedo no consultório.
  • Eles não esperam a coisa desandar para trazer os seus filhos. E as fases do crescimento para eu intervir?
  • Qual seria a fase ótima para que eu pudesse intervir no tratamento dessas crianças?
  • Será que eu tenho que liberar o corredor de erupção para evitar, por exemplo, caninos retidos?

Imagina só, gente, o que chega de paciente no nosso consultório hoje com dentes retidos, com caninos retidos. Não é brincadeira.

E esses caninos retidos, acontece essa retenção, a partir dos 9, 10 anos de idade a gente já consegue prever isso.
Se a gente já consegue prever um negócio como esse, por que não prevenir?

E mais um motivo para a gente tratar os nossos pacientes precocemente:
Existe um mercado que está escancarado. Todo mundo está olhando para um lado. É como se fosse bolsa de valor.
É de fase. E o mercado está escancarado agora, porque tem pouquíssimos profissionais tratando crianças com maloclusões.
Eu vou trazer números para vocês, tá?
85% de todas as crianças dos 6 aos 10 anos de idade precisam tratar uma maloclusão.

Ou eles têm uma maloclusão.
85%.
São milhões de crianças nesse país dos 6 aos 10 anos de idade.

E nós temos uma carência de profissionais que tratam isso com excelência.

Então, segundo o Moyers, existe um erro nos objetivos do tratamento precoce. Olha que loucura:

E o tratamento precoce leva a tratamentos desnecessários e até iatrogenias.
Não sou eu que estou falando. Foi o Moyers que está falando. Uma grande referência.

Caso Clínico

Vou mostrar um caso clínico que eu sei que o dentista ama ver casos clínicos, tá?
Então, quando é que eu trato precocemente?

  • Contraindicação 1: Apinhamento primário temporário.

Não tem necessidade de tratar. Então, quando o Silva Filho falou aqui:

Apinhamento nos incisivos por falta de espaço no primeiro período transitório, faz parte do desenvolvimento natural.
E eu vejo muita gente colocando aparelho para tratar um apinhamento no primeiro período transitório. Se o problema for outra coisa, tudo bem. Mas para tratar apinhamento, não.

  • Contraindicação 2: Fase do patinho feio

Outra contraindicação de se colocar um aparelho na dentadura desse limista ou quando a gente tem uma criança e você de repente pensa em colocar uma técnica 4×2, essa fase do patinho feio, ela precisa ser respeitada.
Não vai me colocar aparelho na fase do patinho feio, até porque os diastemas são necessários entre os incisivos.

  • Contraindicação 3: Biprotrusão detectada precocemente

Como é que a gente trata, pessoal?
Quando essa biprotrusão é muito precoce, num paciente, por exemplo, que você está percebendo que ele está ficando biprotruso, um paciente que tem 4, 5, 6 anos de idade…
Com certeza está acontecendo um desequilíbrio muscular.

Hélio, como é esse desequilíbrio muscular?
O lábio superior exerce uma força na vestibular dos incisivos.
A língua, por sua vez, na região interna, exerce uma força na face lingual dos incisivos.

Quando a força muscular do lábio e da língua estão equilibradas, esse incisivo erupciona e ele fica bem posicionado.

Quando um dos lados está puxando mais do que o outro, ou está forçando mais do que o outro, esse paciente vai ficar biprotruso.
Fala sério! Resolve colocar um aparelho fixo 4×2 numa biprotrusão como essa?
Não adianta nada! Não resolve!

  • Contraindicação 4: Se o melhor resultado for obtido com exodontias de 4 prés e com uma boa ancoragem, não justifica começar o tratamento precoce, apesar de que alguns aparelhos ortopédicos funcionais tem esse incitação

Porque tem casos que não adianta você colar 4×2. Pra quê? Sendo que aquele paciente, você já fez o diagnóstico e descobriu que vai precisar remover os pré-molares.

Hélio, beleza! Você falou o que não fazer, mas agora fala pra mim:
O que eu posso fazer? Como eu posso tratar o meu paciente precocemente com a técnica 4×2?

Indicações

  • Indicação 1: Retenção dentária

Primeira indicação para os tratamentos da técnica 4×2.
Segundo, esse autor:

Sovieiro fala que uma das indicações é a retenção de alguns dentes que não erupcionaram.
Por exemplo, com a técnica 4×2, eu consigo fechar alguns diastemas e fechando alguns diastemas, eu consigo liberar o corredor de erupção para os meus incisivos laterais.

  • Indicação 2: Fechamento de diastemas inter-incisivos para erupção dos laterais

Nesse caso aqui, nessa fotografia do livro, aliás, do artigo, vejam só como é que foi colocado esse elástico em cadeia nos brackets:

Ele foi colocado nas aletas mesiais, e quando nós colocamos esses elásticos nas aletas mesiais, nós evitamos o giro pra mesial desses incisivos.
Outro detalhe é que está sobrando aqui um módulo do elástico em cadeia:

Professor, por que está sobrando um módulo do elástico em cadeia?
Justamente para não fazer uma força excessiva aqui nesses dentes.
Se fizer uma força excessiva, essa gengiva que fica aqui, a papila interdental, ela vai ficar muito edemaciada, vai sangrar, vai ficar feio e vai incomodar o seu paciente.

E eu preciso deixar isso aqui muito claro. Quem publicou esse artigo, há muito tempo atrás, professor Omar Gabriel. E quando ele publicou esse artigo, ele explicou que quando nós movimentamos um dente que tem o ápice aberto, desde que você não faça uma força exagerada, ele não vai fechar o ápice precocemente.

  • Indicação 4: Mordida cruzada posterior

Hélio, por que eu tenho que utilizar um aparelho precoce em uma situação como essa?

Turma, eu vou mostrar uma coisa aqui para vocês. Vocês vão ficar meio impressionados. Eu queria que você passasse o olho.
Dá uma olhadinha no formato dessa mandíbula. Olha o formato. Está vendo que aqui o côndilo é redondo? Aqui nós temos uma espessura do ramo mandibular:

E aqui, um ramo mandibular muito mais grosso, muito mais espesso:

Um ramo mandibular totalmente assimétrico.

E aqui nós temos um côndilo que está meio achatado também (diferente do outro côndilo):

Nossa paciente aqui está com o rosto desviado, com o mento desviado para o lado esquerdo.

Isso aconteceu por conta de uma mordida cruzada unilateral. E essa mordida cruzada unilateral estimulou uma mastigação unilateral também.

E numa fase importante do crescimento dessa paciente aqui, ela foi ficando com essa face completamente assimétrica:

  • Indicação 5: Mordida cruzada anterior

Vejam só. Mais uma indicação seria uma mordida cruzada anterior. Olha o rosto dessa mocinha:

Olha o tamanho dessa mandíbula. Quando você tiver no seu consultório uma criança com uma mordida cruzada como essa, precisa tratar. É obrigatório.

Professor, então, e aí um caso como esse aqui, o que eu posso fazer?

Eu posso fazer uma disjunção e usar uma máscara facial?

Bom, você está achando bonito o posicionamento do lábio inferior?
Provavelmente, se você usar aqui uma máscara facial, você vai protruir toda essa maxila.

Você acha que vai ficar bom?

Será que não vai ficar biprotruso?

Porque assim, a gente pode estimular o crescimento da maxila, não somente no sentido anteroposterior, porque eu tenho um receio dessa paciente aqui ficar biprotruso.


Muitos colegas também falam:

Professor, mas olha só, essa paciente já tem uma inclinação lingual dos incisivos inferiores. E ela já está compensada.
E se ela já está compensada, não adianta mais. Esse caso é cirúrgico.

Não é nada. Sabe por que ela está compensada assim?

Porque a língua dessa menina está nessa posição aqui:

A língua dessa paciente está abaixo do incisivo inferior, está abaixo da cervical. E esse é um dos motivos que não adianta a gente colocar esporões nos incisivos. Então aqui, obrigatoriamente, eu preciso tratar essa paciente com ortopedia funcional.


Esse resultado aconteceu depois de seis a oito meses:

Nós tiramos a língua da paciente lá do assoalho da boca e colocamos a língua no palato.

A partir do momento que você tira a língua, que é um músculo muito forte, e é um músculo que nós chamamos de matriz funcional de crescimento, quando você tira esse músculo da mandíbula, você tira o estímulo de crescimento.

Ah, então ela para de crescer?
Não! Ela está programada geneticamente para crescer um tanto.
Só que aquela língua está estimulando muito mais aquele crescimento.
E quando a gente não põe a língua no palato, o palato não cresce.

Então o que eu quero que você perceba é que para fazer tratamento, principalmente de criança, não é só fazer disjunção e usar máscara facial. Isso não é tratamento.


Olha, isso foi só um corte.

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Até breve.

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Foto Professor Helio Venancio 2022
Professor Hélio Venâncio

Criador da maior escola online de ortodontia da América Latina.

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